Trilharam separados caminhos distantes durante anos. Viveram e sofreram porque não estavam juntos. Ainda sem se conhecer, sentiam a falta um do outro. Mas não sabiam do que sentiam falta. Sabiam-se simplesmente incompletos, insatisfeitos.
Depois ele mudou-se para a cidade dela. Respiravam o mesmo ar, caminhavam nos mesmos passeios, viam as mesmas ruas, falavam com as mesmas pessoas. Acredito que se chegaram a cruzar. Mas eram estranhos. E estranhos continuaram a ser durante mais anos ainda, embora se procurassem sem, no entanto, saberem muito bem qual o objecto da sua busca.
Foi então que ela deixou a cidade dela e as chances de se cruzarem se reduziram cruelmente. O destino separara-os, antes ainda de os ter reunido. Sem saber porquê, desistiram de achar o que os fazia felizes. Ele contentava-se com pouco. Ela mendigava pelo pouco.
Contra todas as probabilidades, porém, e não obstante dos quilómetros que os distavam, um dia chocaram um com o outro. Ele meteu-se com ela. Ela deu-lhe luta. E foi assim que começaram a ser felizes.
O mundo que não fazia sentido explodira, acabara, e ambos começaram a criar. As sombras e os fantasmas do passado foram ficando mais pequenos e insignificantes, à medida que novos passos iam sendo dados.
De mãos dadas, eles seguem em frente. Provas grandes os esperam, mas eles escolheram não ter medo. Porque no medo viveram eles toda a vida. E agora têm-se um ao outro. Têm uma casa à qual retornar depois da jornada.
Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009
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