Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Crónicas do lab

Eu não gosto de sacrificar animais. Mas na ciência torna-se difícil não o fazer. Uma pessoa acaba por se habituar, é a verdade. No entanto, para mim há uma coisa que ainda me provoca aversão: deslocamentos cervicais. Animais a fugir quando os estamos a tentar colocar na posição certa, a faca, as vértebras a estalar da distensão... não me convencem. Daí que tente sempre pedir o auxílio de alguém.

Hoje, no final de uma dessas ocasiões, disse à pessoa que me ajudou: "Deus te pague". Ao que acrescentei a seguir: "Ou não...".

Há dias em que acho que vou arder no inferno. Se existir um.

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

Fobia a baratas (III)

O insólito aconteceu: o Lucas voltou do Hades como se nada fosse. Ainda sem antenas, mas o nosso Lucas de sempre!!

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

Encontros desencontrados

Trilharam separados caminhos distantes durante anos. Viveram e sofreram porque não estavam juntos. Ainda sem se conhecer, sentiam a falta um do outro. Mas não sabiam do que sentiam falta. Sabiam-se simplesmente incompletos, insatisfeitos.

Depois ele mudou-se para a cidade dela. Respiravam o mesmo ar, caminhavam nos mesmos passeios, viam as mesmas ruas, falavam com as mesmas pessoas. Acredito que se chegaram a cruzar. Mas eram estranhos. E estranhos continuaram a ser durante mais anos ainda, embora se procurassem sem, no entanto, saberem muito bem qual o objecto da sua busca.

Foi então que ela deixou a cidade dela e as chances de se cruzarem se reduziram cruelmente. O destino separara-os, antes ainda de os ter reunido. Sem saber porquê, desistiram de achar o que os fazia felizes. Ele contentava-se com pouco. Ela mendigava pelo pouco.

Contra todas as probabilidades, porém, e não obstante dos quilómetros que os distavam, um dia chocaram um com o outro. Ele meteu-se com ela. Ela deu-lhe luta. E foi assim que começaram a ser felizes.

O mundo que não fazia sentido explodira, acabara, e ambos começaram a criar. As sombras e os fantasmas do passado foram ficando mais pequenos e insignificantes, à medida que novos passos iam sendo dados.

De mãos dadas, eles seguem em frente. Provas grandes os esperam, mas eles escolheram não ter medo. Porque no medo viveram eles toda a vida. E agora têm-se um ao outro. Têm uma casa à qual retornar depois da jornada.